Freedom is the freedom to say that two plus two make four. If that is granted, all else follows.


George Orwell, 1984

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Cedo demais

(mas já?) - E saiu o dono do Prêmio Nobel da Paz do ano de 2009. Barack Obama, que dispensa apresentações, foi o escolhido pelos jurados da Fundação Nobel como merecedor do prêmio. Segundo eles, "pelo esforço extraordinário para fortalecer a diplomacia e a cooperação entre os povos".

Mas foi cedo demais. Obama ainda não fez nada, além de aparecer em conferências, cúpulas e afins, apertando a mão de todo mundo. Que extraordinário! Ainda por cima, o prêmio sai um dia depois de Obama anunciar que não reduzirá as tropas no Iraque e Afeganistão.

Está certo que o cara é presidente dos EUA, mas vem sendo criada uma expectativa exagerada pela população global, que pega carona na mídia, como se ele fosse o presidente do planeta.

Ultimamente, o Prêmio Nobel foi praticamente esquecido. A falta de prêmios para figurões do porte de Martin Luther King Jr., Madre Teresa, Mikhail Gorbachev e Nelson Mandela contribuíram para isso. Por isso, creio que o prêmio desse ano foi puro marketing, para trazê-lo de volta aos noticiários. E foi bom para a imagem de Obama também, que na última semana foi criticado por ter "perdido" para Lula na eleição da sede das Olimpíadas de 2016.

Como de praxe, o prêmio vai ser doado para caridade, segundo a Casa Branca. São 10 milhões de coroas suecas, equivalentes a 2,43 milhões de reais. Um troco.

Por vezes, o Prêmio Nobel da Paz é questionável. A simples assinatura de um acordo é tida como um "feito notável". Foi o que aconteceu em 1994, com o prêmio que foi para Yasser Arafat, Yitzhak Rabin e Shimon Peres. E até hoje Israel e Palestina se esfolam por um monte de areia.

Iniciativas pequenas, mas eficazes, que vão ao cerne do problema, tratando diretamente com as pessoas e não com governos, são esquecidas. A paz se alcança com conversa e trabalho duro, não com uma manobra burocrática, como uma assinatura em um papel.

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